Divisão de opiniões entre imprensa e público sobre Vettel expõe falácia da F1 como esporte

Vettel - champ

Há algumas semanas atrás eu fiz um comentário até certo ponto ingênuo no F1Fanatic, mas dias depois descobri que acabou sendo escolhido o comentário do dia pelo editor do site, o Keith Collantine:

commentof the day

O comentário era uma reação minha às vaias que Vettel vinha recebendo após cada vitória. Para mim, as vaias eram — e ainda são — apenas uma forma de o público protestar, inconscientemente, pelo que a F1 — incluindo aí a mídia, as equipes, os dirigentes, Bernie Ecclestone etc — lhes vendeu por anos: um campeonato de pilotos quando o que se deveria ter sido vendido era um campeonato de equipes.

É uma pena ver Vettel como catalizador dessa raiva incontida de certo público porque eu aprendi a gostar do garoto. Mas o fato é que a F1, e quem a gerencia, teve o que merece: vaias por ter manipulado a percepção da F1 na cabeça dos seus fãs, entregando um campeonato de pilotos quando o sucesso de Vettel deveria ser percebido como empenho de equipe e não como esforço individual.


VETTEL VAIADO

Ok, as vaias passaram e os ânimos serenaram, então, o que temos agora? ‘Surprise, surprise,’ a velha imprensa (daqui e também de lá.) está novamente caindo em seu círculo vicioso, elevando Vettel a semi Deus da F1.

Parte desta dicotomia entre a opinião difusa do público e a opinião uniforme da imprensa jaz na natureza irreal da F1 como esporte: não há como nós — e provavelmente ninguém, nem os chefes de equipe e muito menos a imprensa — mensurarmos o quanto Vettel é melhor que qualquer outro piloto no grid.

É uma temeridade é uma afirmação tola fazê-lo. Podemos inferir, mas não realmente aferir, e isto vai contra a natureza de qualquer competição esportiva minimamente justa.

Eu não iria tão longe e diria que a F1 é uma farsa, mas vamos ser honestos o suficiente e admitir que este modelo errôneo de competição, personalista — focada no indivíduo — posiciona a categoria definitivamente como entretenimento e não como esporte.

E aqui a palavra “personalista” escolhida por mim tem razão de ser: somos personalistas por natureza e não admitimos, conscientemente, que a F1 — e o automobilismo no geral — seja uma competição tecnológica e coletiva, e que o esforço do indivíduo seja ínfimo na computação do resultado geral.

A imprensa sabe disto; os donos de equipes também sabem; os promotores do show muito mais.

Agora, por que não há qualquer esforço para mudar esta percepção e vender, honestamente, a F1 como um esporte coletivo? Porque é exatamente esta crença em valores deformados, calcada e focada na individualidade e sucesso do piloto, que sustenta todas as discussões na tv, em sites, fóruns e blogs sobre a F1.

A F1 não vende competição; vende ambiguidade, o que compramos ávidos. Retire esta ambiguidade e toda a boba controvérsia em torno da F1 — a matéria que a alimenta — rui como um castelo de cartas.

Enquanto isto, estamos engolfados em uma discussão infinita e irracional sobre quem é melhor, mas que jamais terá resultado pela pouca objetividade na mensuração de resultados.

Claro, todos nós que adoramos, ou que um dia adoraram a F1, temos culpa no cartório — ou não fomos o suficientemente conscientes para ver a F1, e o automobilismo no geral, como realmente são.

Estou pronto a receber meu ovo na cara dos mais fanáticos: “se quer pureza e princípios esportivos, vá assistir tênis!”

Ok, as raquetes pouco influem no tênis, o mais puro dos esportes que o homem já criou, mas se Ricciardo der trabalho a Vettel e a imprensa ficar sem explicações ou esquecer que o endeusou, vocês não poderão dizer que ninguém avisou…

16 Comments

  1. Acho que o problema está mais na forma com que a mídia retrata o esporte do que no próprio esporte em si, construindo ídolos individuais enquanto os feitos estão no coletivo. Apesar de injusto, se estiver dentro das regras do esporte, é completamente válido ter uma competição entre pilotos com equipamentos desiguais. E isso não reduz o esporte ao entretenimento.

    Mas apesar da mídia interferir diretamente na compreensão das vitórias do Vettel pelo público, isso não deve ser o principal responsável pelas vaias ao menino. Essa reação tem mais a ver com a forma com que essas vitórias acontecem, do que com o próprio resultado em si. O Vettel poderia continuar ganhando, mas se oferecesse batalha aos demais competidores, tudo ficaria mais interessante para o público.

    Por isso acredito que se a FIA fechasse o cerco na análise dos carros e da aplicação do regulamento, essas vaias não ocorreriam mais… Acho que o problema desse esporte está na fiscalização, não no campeonato.

  2. Mclaren considerando substituir o Perez pelo Kevin Magnussen, e quer Alonso para 2015:

    http://www.bbc.co.uk/sport/0/formula-one/24844304

  3. O que estão esperando para assinarem com o Magnussen? O Perez já demonstrou que não é tudo isso….Então, como o início da parceria com a Honda é em 2015, seria interessante dar experiência para ele na própria Mclaren em 2014. Com o Hamilton foi uma situação semelhante e ele disputou o título. Vão esperar mais um ano para mandar esse Mexicano embora? Por mim, poderiam fazer uma pacotão e dispensar o Button também. Não é porque o Magnussen é novo e inexperiente que é sinal que fará uma temporada ruim…..não custa tentar.

  4. Estão dando como certa a substituição do Pérez pelo Magnussen!

    • O Joe Saward já cravou a saída do Perez, falta confirmar o substituto. Eu ainda apostaria no Hulkenberg, não confio muito nesse dinheiro da Quantum, é capaz até do próprio Perez surgir como mais uma opção pra Lotus.

  5. Nao me lembro de um periodo de especulaçoes tao longo.
    Confirma logo o Magnussen!!!

    • Bem legam mesmo, Flávio!

      Sabe… sempre achei que a Globo e os brasileiros deveriam admirar mais a McLaren do que qualquer outra equipe. Afinal, grandes pilotos brasileiros fizeram parte dessa história.

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