GP do Canadá: A McLaren-Honda realmente parece amadora?

by Andrew Benson (http://www.bbc.com/sport/0/formula1/33043900)

 

Em uma mensagem de rádio que não durou nem 2 segundos, Fernando Alonso resumiu  toda a extensão de um desesperadamente difícil fim de semana para a McLaren e seu fornecedor de motores, a Honda.

A resposta do bicampeão mundial, que ganha 26 milhões de libras (US$ 40 milhões) por ano, a uma solicitação de seu engenheiro para economizar combustível, enquanto lutava para manter o 16º lugar contra pilotos de equipes com uma fração do orçamento da McLaren-Honda, será, sem dúvida, lembrada como um ataque de frustração.

Que – finalmente – revela os verdadeiros pensamentos de um homem com a reputação de ter um caráter notoriamente difícil e exigente, mas que até agora nesta temporada tem mantido uma imagem de calma e paciência.

Mas essa resposta foi quase certamente muito mais sutil e multi-facetada do que simplesmente frustração.

A Sauber de Felipe Nasr está 7,5 segundos atrás. Temos de poupar combustível. Nosso alvo será zero.

Foi a mensagem recebida pelo piloto espanhol. A resposta foi:

Eu não quero, eu não quero. Já tenho grandes problemas agora, dirigindo assim e parecendo um amador. Eu gostaria de correr e depois vou concentrar-me no combustível.

Era a parte do “amador” que realmente me chamou a atenção, e que resumiu o tamanho do desafio ainda enfrentado pela Honda após sete corridas em seu muito anunciado retorno à F1.

Em uma palavra, Alonso tinha resumido uma corrida que começou com otimismo para a empresa japonesa, mas que logo desceu aos níveis de constrangimento.

Na sexta-feira à tarde, o chefe da divisão F1 da Honda – Yasuhisa Arai – estava falando sobre ter uma sensação “muito positiva” sobre o fim de semana, em que a empresa japonesa tinha usado duas de seus nove tokens permitidos para o desenvolvimento de motores na temporada – mudanças destinadas a melhorar a confiabilidade e eficiência de seu motor.

Algumas horas mais tarde, a Honda descobriu um problema com o motor de Alonso que precisaria ser trocado antes dos treinos no sábado de manhã. Alonso tinha feito apenas uma volta da sessão, quando o motor do seu companheiro de equipe Jenson Button parou, trazendo um fim prematuro à sessão.

As novas peças que foram necessários para fazer carro de Button pronto para a corrida significariam uma largada no final do grid e um drive-through imediato como punição.

Mais tarde no sábado, Arai, que até agora vinha passeando relativamente fácil por uma mídia compreensiva com a situação da Honda, foi submetido ao seu primeiro grande stress. Sentados em cada lado dele, Alonso e Button mantiveram suas cabeças para baixo, com os rostos escondidos pelas abas de seus bonés, como se dissessem: “Nós não vamos nos envolver nisso.”

arai

Vinte e quatro horas mais tarde, ambos os carros tinham abandonado a corrida com diferentes problemas relacionados com o sistema de exaustão e a mensagem supracitada de Alonso havia traído as dificuldades da Honda para uma audiência global.

Mas esta não foi uma mensagem nascida da frustração, ou mesmo da emoção.

Em um nível, era simplesmente, como Alonso pontuou:

Foi um desacordo sobre quando economizar combustível. Quando você está cercado por carros tentando ultrapassá-lo e você está no meio de batalhas, o combustível é uma prioridade menor. Você terá tempo mais tarde para economizar combustível. Então, depois de três ou quatro lembretes da economia de combustível, eu disse: ‘Deixe-me correr agora e me divertir um pouco e depois vou pensar sobre o combustível’.

Ele pode muito bem também ter pensando que a economia de combustível era desnecessária dado o pobre histórico de confiabilidade da Honda no Canadá e nas corridas anteriores. Se foi assim, ele estava certo.

Mais do que isso, porém, era quase certamente uma mensagem para a Honda começar a trabalhar em equipe, e rápido.

Quando isso foi questionado ao diretor de corridas da McLaren, Eric Boullier, após Alonso ter encerrado suas obrigações com a mídia, ele respondeu: “Pergunte a ele”, antes de acrescentar: “Eu acho que é muito provável, sim”.

Perguntado se ele estava preocupado que Alonso iria “em algum momento ficar louco”, Boullier disse: “Se ainda estivermos assim no próximo ano, eu tenho certeza que ele vai virar louco Mas eu não acho que ele vai.”

Vocês o vêem regularmente. Vocês podem ver que ele está feliz onde está agora. Ele quer ganhar. Nós sabemos disso. Temos a mesma agenda. Ele me disse outro dia que estava considerando este ano como um ano de testes para estar pronto para o próximo ano. Assim, ele não se colocou em uma posição onde iria se sentir frustrado.

De fato, uma vez fora do carro, Alonso foi o seu habitual “auto-positivo”, insistindo que ele acreditou no projeto McLaren-Honda, que será um sucesso, que não tinha arrependimentos em deixar a Ferrari.

Mas a McLaren e a Honda não estão pagando 40 milhões de dólares por ano para Alonso lutar pelo 16º lugar. Ele está lá para ganhar, e isso continua sendo uma possibilidade distante.

A McLaren está apoiando publicamente a Honda, dizendo que o déficit para a Mercedes não é todo devido ao motor, e que o chassis ainda precisa de mais downforce para ser competitivo.

Isto é certamente verdade, mas na balança, o déficit é muito mais devido ao motor. O chassis da McLaren é realmente muito bom.

O McLaren MP4-30 é 20 km/h mais lento que os carros com motores Mercedes nas fortes retas e fontes bem informadas dizem que o motor da Honda é – na melhor das hipóteses – pelo menos, 75 hp menos potente, com problemas particulares na parte híbrida do motor e visivelmente ruim no consumo de combustível. É, em alguma medida, o pior motor dos quatro competindo na F1 este ano.

Descontando a perda de tempo que pode ser diretamente atribuída à falta de desempenho do motor e fica claro que o McLaren MP4-30 é um carro de fato muito bom. Não está no nível do Mercedes W06, certamente, mas na região das Ferrari, o segundo melhor carro no grid.

A McLaren trará uma grande atualização para o carro para a próxima corrida, na Áustria, e uma outra para o Grande Prêmio de Inglaterra. Se essas atualizações entregarem o que a equipe espera que vão, o carro será tão bom quanto um Mercedes W06.

Para colocar isso em contexto, a Honda começou a desenvolver seu motor apenas em 2013 – três anos após a Mercedes começar a trabalhar – e provavelmente entrou na F1 um ano antes do que deveria. Mas já que o fez, deve ter sucesso.

É fácil culpar o parceiro, mas temos de ser solidários. Estamos oferecendo suporte para ajudá-los a acelerar este tempo de recuperação. Para ser justo, eles decidiram juntar-se há dois anos. Não é fácil estar aqui e vencer. Temos uma montanha para escalar, mas parece que um monte muito alto e precisamos ter certeza de que estão devidamente equipados.

Afirmou Eric Boullier sobre as dificuldades da Honda.

Depois de assistir os pilotos da Mercedes Lewis Hamilton e Nico Rosberg rumando para outro controlado e confortável 1-2, com a potência, a economia e a dirigibilidade do motor Mercedes a alimentar cinco dos restantes oito que pontuaram, quem confia na Honda não tem nenhuma ilusão sobre o tamanho da tarefa à frente.

About Will Mesquita

José Wilson de nascença e Will de espírito. Trabalho pela minha vida, então não dispenso uma boa leitura, uma boa corrida, um bom futebol, uma boa comida e uma boa praia. Imagino que seja um bom amigo, um bom goleiro e um bom filho. Um cara legal, mas não bobalhão.

9 Comments

  1. No que foi esclarecido:

    Prós (royalties a Mclaren): “Descontando a perda de tempo que pode ser atribuída à falta de desempenho do motor e fica claro que o Mclaren MP4-30 é um carro de fato muito bom. Não está no nível do Mercedes W06, certamente, más na região das Ferrari, o segundo melhor carro do grid.”

    Contras (by Honda): “O Mclaren MP4-30 é 20 km/h mais lento que os carros com motores Mercedes nas fortes retas e fontes bem informadas dizem que o motor da Honda é – na melhor das hipóteses – pelo menos, 75 hp menos potente, com problemas particulares na parte híbrida do motor e visivelmente ruim no consumo do combustível. É, em alguma medida, o pior motor dos quatro competindo na F1 este ano.”

    Então, no frigir dos ovos o carro da Mclaren éh bom!

    Más quanto ao V6 nipônico hummmm….75 hp…. Meu Deus! A defasagem éh muitíssimo grande! Gente, algo tem que ser feito porque a lacuna de potência será muito difícil de encurta-la em um ano.

    Acho que a parte de competições da Honda deve estar defasada desde a época da Brawn.

    Só sei de uma coisa: Que Deus ajude a Mclaren!

    • “Más quanto ao V6 nipônico hummmm….75 hp…. Meu Deus! A defasagem éh muitíssimo grande! Gente, algo tem que ser feito porque a lacuna de potência será muito difícil de encurta-la em um ano.

      Acho que a parte de competições da Honda deve estar defasada desde a época da Brawn.”

      Não é isso parceiro. A parte de competições ficou ativa com a Indy nos EUA. Acontece que a F1 é algo à parte. Você precisar estar inserido no “vale do motor” para ser competitivo. Becken explicou isso aqui em 2013. Não se chega hoje, e vence amanhã. Basta pegar o sucesso da Red Bull e Mercedes, e o declínio da Ferrari e Mclaren.
      Red Bull venceu em 2010 à 2013= 4 anos. Só que o projeto para isso acontecer teve início em 2005 com a contratação de Adrian Newey e Peter Prodromou, deu sequência em 2007 com o fornecimento dos motores Renault no lugar do Ferrari. Foram 3 anos andando no fundo e no meio do pelotão, e precisaram da ajuda da mudança de regulamento de 2009 para para saltarem ao topo em 2010.

      A Mercedes é a mesma coisa. Ganharam em 2014, e ganharão em 2015, 2016. Só que o projeto teve início em 2009 com a aquisição da Brawn no final de 2010. Foram 3 anos sofrendo com desgastes de pneus e andando no meio do pelotão. Mais um ano brigando por vitórias e algumas poles, e precisaram da mudança de regulamento para vencer o campeonato em 2014.

      Nas minhas contas, a Mclaren vencerá o campeonato em 2018, somente se mudar muita coisa na estrutura que não está boa, basta ver os últimos 3 carros para saber do que estou falando. Tim Goss como Diretor Técnico é loucura. Está lá há anos nunca ganhou uma competição de avião de papel sozinho e virou Diretor da Mclaren. Neil Oatley está velho demais para continuar como chefe de designer. Está lá desde Ayrton Senna. Matt Morris é Diretor de Engenharia vindo da Sauber. Da Sauber! Ninguém será campeão com esses caras no comando. Tem que mandar embora e pegar os caras da Red Bull, Mercedes e Ferrari. Se não for dessas equipes não precisa contratar. Eric Boullier é bom para a Lotus. Para a Mclaren não. Enquanto esses caras estiverem por lá, só terão um copo meio vazio de água no imenso deserto. Sem contar na Honda, em que o Yasuhina Arai, é mais otimista que a Dilma em meio à crise…

      • Grannnnnde tenentemarco! Eu vejo como solução, já que vc ver como única alternativa, a substituição dos chefes-de-departamento de Working e principalmente, tirar da hibernação àquele velho-urso-esperto do Brawn pra começar a verdadeira-virada na Mclaren. Aquele cara sim, conhece como éh o funcionamento de uma equipe como também as manhas politicas da m esma. Só vejo este caminho como luz no fim do túnel.

      • Nobre Tenente Marco, não vejo que uma troca de diretoria, ou gerência, neste momento seja a solução, pois mesmo que todo o comando não sirva para nada, ao se contratar novas pessoas, quanto tempo levará para que estes novos integrantes entendam em que pé estão as coisas?

        Outro ponto, a McLaren é uma equipe inglesa, e sendo assim, o pensamento é diferente do nosso. Lembram-se da Margaret Thatcher? Ela enfrentou muitos problemas, guerra, greves, recessão, inflação, desemprego, mas só deixou o mandato após solucionar todos os problemas, então, Sir Ron Dennis, só vai mexer mesmo no que for estritamente essencial.

        Se um designer é velho, ele deve estar treinando algum pupilo. Por isso, muitas coisas podem não estar dando certo como deveriam. Se alguém sai de uma empresa pequena e vai para uma grande multinacional, então pela lógica acima apresentada, está fadada ao fracasso e não merece nem a chance e nem tentar acertar? Saiu da Sauber, mas pode dar sim certo na McLaren, ou em outra equipe até. O Adrian Newey fez o primeiro carro, se minha memória não me solapa, para a Leyton House, alguém se lembra dela? Não.

        A McLaren está seguindo um planejamento estratégico montado por esses caras que estão à frente, e está seguindo a risca. A Honda não é lembrada por fracassos em sua história, vide a história de vida de seu fundador. Então com toda a certeza nas diretrizes, na visão e missão da Honda, constam tenacidade e superação. A Honda não saíra da F1 sem títuloS (plural maiúsculo para confirmar).

        Serão em 2015? Não, 2016? Talvez. 2017 em diante? Briga forte com certeza.

        Desculpe o texto longo e desculpe em discordar. Abraços.

    • 75 hp foi o que a Ferrari parece ter tirado de di
      ferença do ano passado pra esse ano. Se o chassi é bom, então é possível tirar essa diferença no motor.

    • A questão para mim é bem clara: não é se, mas quando a Honda colocará a McLaren lá na frente. A diferença é grande e não acho q seja encurtada consideravelmente neste ano. Acho que a equipe vai começar a vingar mesmo no ano que vem, senão no segundo semestre de 2016. Pode ser que a paciência do Alonso termine antes e que Button desista de continuar na F1 no final do ano, mas é possível entregar um carro bom.

      Não acho que a Honda tenha entrada um ano antes do que deveria. É melhor testar um projeto na prática do que na surdina. Claro, é mais caro, bem mais caro e tem toda a pressão de quem vê e da imprensa, mas o resultado costuma ser mais rápido.

  2. O carro realmente parece ter potencial mas tão bom quanto o W06? Duvido, e muito. Isso parece mais torcida do pessoal da BBC do que realidade.

  3. Boas notícias em meio ao caos: o novo bico foi aprovado depois de mais de 3 tentativas,

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